segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Uma vida, um poema!



Saudade é tudo que tenho na alma
quando lembro o que se passou,
entre tantas horas e momentos
em tantos caminhos, mesmo que turbulentos.
Fica na pele a sensação colhida no tempo,
da vida que se abrevia num aparente silencio.

Saudade de tudo que não volta,
do que não se repete, até na vida que restou,
há um tanto de passado no futuro que sobrou...
Momentos muitos que o presente carregou.
Pessoas, lugares, marcas que o mundo deixou.

Certamente dói na alma ver que tempo voou,
correu, fugiu, galopou...
Mas só dá-se conta de o quanto é breve
quando encontra-se na rotina as dores do corpo,
no silencio o ombro d'um melhor amigo,
nas palavras, mesmo pequenas, ensinamentos,
nos fatos vividos um sábio e valioso livro.

A certeza acompanha toda essa saudade.
Olhando o que passou vejo que fiz minha parte,
passei meu destino deixando pegadas e verdades.
Hoje posso contar aos que ficam o segredo da longevidade:
é nas sutilezas bem vividas que encontra-se a felicidade.
Portanto já que o corpo é uma morada  de passagem,
seja sempre por inteiro, não viva a vida pela metade!

O tempo do corpo passa, o da alma jamais!

Anna Carvalho




*Esse é um poema  em memoria de minha avó Iracema que partiu pouco mais de 2 anos aos 81 anos de idade. Certa vez ela me disse que embora seu corpo tivesse as marcas de uma vida por dentro ela ainda se sentia uma menina. Nunca imaginei que sentiria tanta falta da sabedoria nas palavras e que com o passar do tempo veria tanto dela refletido em minhas atitudes e personalidade. Hoje sei que o corpo partiu, mas as marcas e aprendizados ficaram registrados na minha alma...


3 comentários:

Arnoldo Pimentel disse...

Muito linda a homenagem em forma de poema, parabéns.Beijos

http://ventosnaprimavera.blogspot.com

Anônimo disse...

Oi Anita que linda homenagem, minha vozinha também adormeceu em 14/12/2009...e o aniversário foi dia 04/08...senti muita saudade..por que morei muito tempo com ela..sei exatamente o que você sentiu quando fez esse poema....Parabéns..e muito obrigada pelo Link da música que vc postou lá meu blog...bjokas
Sandra Freitas

Anônimo disse...

Ana querida amiga, sei mais do que ninguem como esse dia pra você foi dificil e dos dias que ficou com ela no hospital, a minha vó se foi quando eu tinha 8 anos e lembro até hoje de duas coias que ela me deu, uma delas foi a velha tv preto e branco dela e a outra foi um leque, que ela me disse assim: Dê isso meu neto para a sua esposa, faça ela guardar assim como eu fiz! Hoje entendo o significado disso e lembro com saudades das palavras dela, assim como lembro do carinho que sua avó tinha por mim, do abraço que ela me deu um dia na casa do seu pai... enfim doeu muito em mim isso, e tb em ver vc chorando, partiu meu coração e sei que sabe disso! Nunca esquecerei da Dona Iracema, uma mulher admiravel, que tem tb uma neta admiravel aqui na terra, e sei tb que ela estará esperando por vc na casinha dela lá no céu! Obrigado Ana por ter feito eu conhecer ela e de lembrar com carinho da ultima vez que falei com ela no telefone... Obrigado por ser quem vc é! Beijos grandes

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